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Estou num quarto úmido, repleto de mosquitos, teias de aranha e livros velhos. Uma velha máquina de escrever me observa com ciúme. Não possuo mais lápis nem estiletes para cortar suas pontas. Um velho cão me espreita. Não há nuvens no céu, apenas uma lua meio sorridente. Sarcástica, talvez.

Preciso fugir! É o que sinto. Sei com quem, mas agora tenho algemas pesadas em meus pés. Nem lágrimas saem mais de meus tristes olhos puxados e repuxados. Imagens de um passado não muito distante, com atores da minha vida passam pela tela do computador enquanto escrevo. Elas querem minha atenção para me puxar para a tristeza, da qual tanto temo. Lágrimas fáceis, agora só mês que vem!

O que essas pessoas fazem durante a madrugada? Penso nisso insistentemente, desde que me mudei para essa apartamento agora sombrio. Vozes, risadas, choros, luzes acesas. Será que dormem? Será que ouvem músicas? Será que sentem saudade? O que fazem? Tenho, muitas vezes, vontade de entrar nesse prédio ao lado e visitar essas pessoas. Entrevistá-las na madrugada vazia.

Penso em dormir, mas sei que mais uma vez, terei dificuldade. Pensamentos dançando no teto ao embalo do ventilador antigo.

Não fui uma criança muito feliz, nem triste. Apenas, solitária com meus muitos pensamentos, que felizmente, agora, posso compartilhar. Com quem? Pelo menos comigo mesma. Quem sabe alguém se indetifique um dia…

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