Por antecipação, já estou melancólica. Essa chuva, esse cantar dos passarinhos, esse sono que persiste e minha vontade de não dormir…

Pensei no meu filósofo o dia todo, enquanto lia, enquanto trabalhava, enquanto estudava, enquanto ouvia música. Perder. É da vida. Mas perder quem você ama, isso não pode ser da vida. E é o que eu sinto. Quase um ano se passou. O que realmente aconteceu? Ainda estou triste, ainda choro, ainda sofro, ainda sinto saudade avassaladora, porém cresci. Mas por que eu tinha que crescer justamente quando quem eu tanto amava se foi? Não podia ter crescido antes? Mas não! Deus quis assim e assim tem que ser.

Não apenas Ele me ajuda. Meu filósofo favorito também. Apesar de não sonhar com ele, não poder nem em sonhos abraçá-lo e sentir seus abraços, contento-me em pensar nos bons momentos. Apesar de algumas vezes, os ruins estragarem minhas doces recordações.

Do que mais sinto falta? Difícil mesmo essa resposta. Do sorriso? Do olhar? Das mãos macias? Do cheirinho de banho tomado? Das nossas inúmeras conversas? Das nossas trocas de declarações de amor? Das fitas que gravei pra ele com minhas músicas favoritas e as dele pra ele ouvir no carro? Da sua inteligência? Do seu amor pelas Artes? De vermos filmes juntos sábado à noite? De jogar cartas com ele quando era criança? Das suas gargalhadas? De aprender com ele? Das suas aulas na faculdade? De andar na rua de mãos dadas mesmo quando já era adolescente? De seu espírito sonhador? De passear de carro e ficar o dia todo com ele? De ir para todos os trabalhos com ele e ter orgulho? De cantar só pra ele suas músicas favoritas? De receber o beijo mais gostoso e amoroso na bochecha que alguém pode dar? Ou de dançar com ele no meio da sala?

Isso e mais e mais e mais…

Ele me deu liberdade de ser quem sou. De viver sem medo mas com cuidado. Ele me deu o prazer de ler mesmo quando achavam que perdia meu tempo, minha época de adolescente. Enquanto isso, devia ir a festinhas, “ficar” com os meninos. Ele foi o primeiro a ler meus poemas e sofrer com eles. Ele quis me ensinar a nadar, mas me ensinou a amarrar os cadarços e ver as horas!

Uma coisa é certa: ainda não aprendi a viver sem você. Afinal, eu sou você e sempre serei. Não é apenas o nosso sangue raro que nos une, mas um amor incondicional, uma afinidade de pai e filha e amizade raros.

Pai, o que é um ano? Na medida do amor não tem isso. Ao mesmo tempo, parece que foi ontem mas também parece que foi há anos. A saudade nunca terá fim. Você faz parte de mim e do que sou e serei.

Por você… pra você e sempre com você!

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