Nesse lugar não havia homens. Apenas duas guerreiras, uma gata e uma cadela. As guardiãs da casa. Os homens haviam fugido, cada um para um local diferente. Um para um castelo, outro para o céu e o outro caminhava numa estrada à espera de uma carona de volta.

Essas duas mulheres há muito tinham se unido para superar todas as adversidades que aparecessem, mas não imaginavam que a sina delas seria “seguir, ultrapassar montes e carregar cruzes imensas”.

Numa noite de felicidade para a guerreira Fada da Irlanda, um homem sábio lhe disse com força: ” Vocês são as mulheres guerreiras desse lar.” A então menina sorriu, abaixou a cabeça e agradeceu. Mal sabia ela que futuramente muitas guerras iria enfrentar tendo ao seu lado sua irmã mais velha.

Hoje nessa casa que não tem mais sorrisos altos, que não tem mais música, que não tem mais danças, as guerreiras enfraquecidas descansam para mais um dia de luta, mas com o pensamento sempre no passado festivo de suas vidas.

O homem guerreiro mor que está no céu deixou como legado uma princesa e uma rainha fortes, as guerreiras, as fadas de asas azul e vermelha. Hoje esse homem que cumpriu sua missão com dor e coragem as vê como mulheres destemidas e frágeis, porém sempre guerreiras. Armadas com seus bastões e punhais. Com flores e borboletas a sua volta. Abençoadas por ele que sempre as admirou.

Devo confessar que estou cansada. Minhas asas precisam repousar. Meus cílios já não conseguem olhar com tanta facilidade, mas uma nova luta preciso vencer e pelos meus, nunca abandonarei luta alguma! Preciso preparar minha companheira de asas vermelhas pois o que virá, ainda não sei, mas sei que será mais um grande passo para nosso amadurecimento e crescimento.

Gostaria, assim como uma borboleta, voltar para o meu casulo. Descansar um pouco. Mas me foi atribuída uma grande tarefa: amar e fazer o impossível pelos que eu amar.
“Então se sacrifique. Você terá recompensas, mas terá que batalhar muito pelos outros! Batalhas feias, sangrentas e algumas com finais felizes. Não volte para casulos nem cavernas. Viva apesar de tudo!”

Assim me despeço de você, leitor, que tenha algum interesse em meu testemunho na madrugada, hoje, infelizmente, sem brisa nem ardor.Imagem

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