Apenas nasci, numa sexta qualquer, de um mês qualquer, de um ano, cuja década, gostaria de ter vivido: os anos 70!

Papai sempre quis ter uma menina que se chamasse Maria. Mais de 10 anos desejando isso. Nasci. Só.
O que eu sou, nem eu mesma sei. Apenas sei o que não quero ser. Só mais uma a sofrer a vida inteira sem nunca ter realizado um sonho. Não precisa ser grande nem fantástico! Um sonho… ser feliz!

Pai, como gostaria que você estivesse aqui com seus lindos olhos azuis, já prontos pra se emocionar com alguma palavra minha… sempre disposto a me dar conselhos, mesmo que eles fossem sem serventia… como gostaria de ter suas mãos fofas e brancas aqui a segurar as minhas, com determinação e amor… Mas não! Hoje o que tenho é sua presença em mim.

Tenho a sua presença a cada sombra minha. Tenho a sua voz dentro de mim como uma calmaria. Tenho os seus olhos a me iluminar quando tenho medo do escuro e de continuar e tenho suas mãos pra me segurar aonde quer que eu vá!

Uma pequena foto ao lado do computador, preso a uma borboleta é onde, hoje, fisicamente, você está. Você sempre fez eu me sentir assim: uma borboleta. Poderia voar, andar, viajar… com ou sem rumo, desde que avisasse! Mas nada de ficar em casa, nada de viver em casa, só se fosse para ler, o que não deixa de ser uma viagem.

Sempre sinto saudade, mas esses últimos dias, tem sido mais dolorosos. Sinto-me só. Só sem você, só com você. Só.

Lembro-me de um fato muito importante, pelo menos pra mim. Você não acreditou que eu tinha tirado as minhas primeiras fotografias, que as tivesse revelado no quarto escuro com luz vermelha, tampouco, eu as tivesse cortado e ampliado naquela máquina grande.

Foi meu primeiro GRANDE CRÍTICO. Na hora, claro, fiquei triste, mas depois, foi uma força imensa aquilo que você, incoscientemente tinha falado e feito. Não acreditava que eu pudesse ter talento e isso pra mim foi uma “barra”, mas que me fez muito bem depois. Isso fez eu estudar e melhorar. Procurar meus erros, correr atrás, não do prejuízo, mas do seu elogio! E quando o consegui… Meu pai, meu melhor amigo tinha gostado muito do meu trabalho.

Sinto falta de mostrar TODAS as minhas fotos para você. Tenho certeza de que pra você não seria um fardo. Você teria um prazer imensurável de ver cada imagem, falar sobre cada uma, como um bom professor, observador e amante das Artes.

Você ficava horas comigo procurando as melhores molduras… imagina na hora de escolher as melhores fotos para cada álbum!

Mas a cada saída, cada aniversário, show, evento… sei que você está me olhando. E sorrindo por eu não ter desistido depois da primeira, segunda e terceira críticas, porque uma vez que você está na internet, no mundo pra ser visto, tem que estar preparado para os aplausos e as vaias. Isso é ser artista. Ganhar notas, estrelas, prêmios e… críticas boas ou não. Pintores, músicos, escritores, cineastas… todos sabem o que digo.

Mais um desabafo de uma filha para um amigo.
Deixo-lhe essa escrita como se fosse um diário.

Uma homenagem ao meu querido, meu velho e sempre amigo…

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